Fomos, um dia, sementes em solos distintos, Um cresceu no amparo, o outro entre labirintos. Tu trouxeste na bagagem o peso de quem espera, Eu trouxe na pele as marcas de uma longa espera. Somos espelhos de imagens trocadas: Tu, o passo firme em estradas já traçadas, Eu, o camaleão que em cores se perdia, Moldando o próprio rosto na luz que o outro trazia. Houve em mim o estrondo, a explosão e o receio, O medo de errar e o grito preso no meio. Houve em ti a calma de quem nasce com o prumo, Sabendo de cor o destino e o resumo. Mas o tempo, esse mestre de mãos invisíveis, Tornou os nossos passos, enfim, compatíveis. Eu limpei o ruído, ergui a minha muralha, Transformei em escudo o que antes era falha. Hoje somos dois centros, dois eixos, duas frentes, Racionais no agir, no olhar conscientes. Tu, a estrutura que a paz soube erguer, Eu, a fortaleza que a luta fez nascer. Não importa a origem, o trauma ou a sorte, Encontramo-nos agora no mesmo norte: Seletivos no afeto, discretos no plano, V...
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