O hOMEM
Vivemos em um mundo onde (também) não é fácil ser homem.
Nós, homens, somos vítimas do feminismo enraizado e que já não faz sentido.
Somos reféns de traumas ligados ao patriarcado.
Metidos no mesmo saco no que concerne ao machismo.
A media resume-nos a monstros. Afinal, tudo aponta que sim, mais mulheres são vítimas de violência doméstica, sendo muito mais divulgados casos em mulheres do que em homens, tantas vezes numa lógica punitiva.
Sim, somos também vítimas da violência escondida.
Tantos, de violência psicológica, inclusive de mulheres, muitas que nem o viveram, mas que se aproveitam do passado das suas mães e avós para se afirmarem, num combate, tantas vezes, cego.
Quantas vezes somos vistos como menos necessários. Afinal, persiste a ideia que a mulher nasceu para ser mãe. É certo que o (mais belo e interessante) corpo feminino está criado para esse efeito. Há vínculos entre mães e filhos, impossíveis com o pai. Por isso mesmo, um esforço muito maior que o homem tem de fazer para os criar, na ausência de um vínculo (tão) natural. Por isso, se um homem morrer, incluindo num conflito armado, não faz assim tanto mal. Numa catástrofe, é ele que tem que dar a vida. E tudo bem. Contudo, a sua morte é tao natural, contrastante com a fragilidade feminina.
Sim, continuamos a viver num mundo em que quase não é permitido ao homem ser frágil! Tantas vezes é gozado por o ser.
Já ser homem jovem, num mundo em que o amor é banalizado, solteiro (coitado, partiu cedo, mas também não deixou nada, nem mulher, nem filhos), que não obedece ao tipico "macho Alfa", a aceitação é ainda mais difícil, exige um processo de reconstrução constante.
Eu tenho quase 31 anos, já não lido com tantas inseguranças da juventude, mas lido com adolescentes e jovens. Tentam ser rebeldes e buscam tentativas de afirmação, contudo, dentro deles, esconde-se uma inocência imensa, muitas vezes a quem mais é exigido. Se juntarmos a isso, a ausência de mais atenção e afeto (pois serão homens e o mundo está feito para homens e poderão se defender melhor), encontraremos uma das causas para muitos dos flagelos atuais e que não vale a pena referir. Não desculpas, mas causas...
(Texto escrito a propósito do Dia Internacional do homem)
R.A.O
19/11/2025

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