PLANOS
Dei por mim a planear as minhas férias, este ano mais pequenas que o habitual. Só por isso. Raramente faço planos. Digo, sempre, na brincadeira, que não teria jeito para arquiteto. Projetos não é comigo, senão o projeto que, com certeza, Deus tem para mim.
Eis que somos surpreendidos. A minha tese é robustecida. De repente, sentimos que a nossa presença é mais importante em certos lugares do que em outros.
Dias que queríamos calmos são acompanhados por uma certa irritação. Vivemos o ano laboral, pastoral e pessoal carregados de trabalho e responsabilidades, mas os outros não andam ao nosso ritmo. Muitas vezes não respeitam, inclusive, o nosso tempo.
Disponibilidade atrás de disponibilidade, tantas pessoas que nos envolvem, particularmente nas horas de pausa, descobrimo-nos sós. Não aquela solitude que nos faz bem, tão pouca aquela solidão que nos deixa tristes. E, sim, aquela crença que os restantes se mergulham de que somos meros autómatos. Por entre os dias, corremos o risco de nos esquecer de quem verdadeiramente somos.
Sentimo-nos bem por deixar, ou, pelo menos tentar, fazer do mundo um lugar melhor. Não obstante, o vazio se apodera. Sem um gesto de gratidão.
Arrogancia, oportunismos e interesses, indiferença e desrespeito em varias frentes, damos graças a Deus pela nossa gratuitidade, mas a nossa humanidade interpela-nos a questiona-la. Entretanto, a irritação. As tentativas de fuga, praticamente impossíveis. Uma certa ira pelos planos falhados. A revolta. O cansaço.
Mas continuamos aqui... mas continuamos aqui... e há qualquer coisa que nos faz seguir em frente, fazer as pazes. Connosco e com os outros. Sem saber se estamos certos, tendemos a fazê-las até com nós mesmos. Que esta paz não se confunda com um possível acúmulo adormecido que um dia explodirá.
Mas pronto, no presente a curto prazo vou estando bem. Depois, logo se vê... sim, sem planos!
R.A.O
23/08/2025

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