VAZIO
Não me lembro da existência de muitos textos por mim escritos, que vou encontrando e gravando novamente. Textos que estiveram, com certeza, como outros tantos certamente, perdidos, por aí...
Leio-os e não me lembro a quem os dediquei ou me inspirei para os escrever. Não obstante, são uma oportunidade de retrospectiva. De me lembrar como, no fundo, estamos também, muitas vezes, perdidos... Como a nossa vida é um vazio permanente!
Aliás, olhando para trás, quem vive uma vida de serviço, atravessa igualmente uma ponte recheada de vazios, não sendo nunca um sacrifício ou uma tragédia, pelo contrário. São vazios que no final se revelam gratificantes.
Contudo, vidas que não são, certamente, um antídoto espontâneo e imediato para a felicidade como a conhecemos.
Sejam os líderes/soberanos/orientadores: Pessoas que abdicaram do seu eu de nascença, de uma vida normal, para assumirem um legado à qual estavam predestinadas. Vidas como a caixa de Pandora, cujas identidades ficam seladas, tantas vezes para sempre! Cujo segredo está no enigma, na falsa sensação de segurança que transparece, no nervosismo escondido, tal o sentido de responsabilidade!
Os da primeira linha, que esperam indefinidamente a sua entrada em cena, o cumprimento do presumível destino, seja pela perpetuação ou não abdicação do líder atual... E o que fazem durante essa espera? Desenvolvem o seu sentido de caridade, filantropia ou de ociosidade?
Os vigários/consortes/conselheiros que acompanham, aconselham indefinidamente alguém, caminhando sempre atrás, trabalhando nos bastidores... Como responderão ao vazio? O mais certo é fazê-lo com respeito, paciência e tolerância...
Por último, os chamados "número 2" ou de segunda linha, aqueles que o "sistema" não protege... Resta-lhes, lá está, a oportunidade de carinho e ternura para não viverem uma vida de excessos desnecessários... Que têm de encontrar um lugar, um sentido, um projeto. É nestas pessoas que estão os grandes empreendedores, mas também os que mais desenvolvem transtornos, os que desistem mais facilmente, os que trocam o verdadeiro serviço pela satisfação de necessidades de um núcleo restrito (e julgam-se felizes, não abandonando a "redoma"). A maioria de nós, que vive num dilema e questionamento constante!
No fim de contas, o mais importante é perceber se não estaremos em muitas vidas e vazios ao mesmo tempo! Se já não estivemos em cada um deles. Saber preencher o vazio ou vazios que temos e atribuir a tudo um significado!
É esse o desafio! E faz sentido!
R.A.O
12/08/2024
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