REFLEXOS PARALELOS

"Não. Não é de política que me ocupo, nem de ideologias cujo fulgor passageiro se dissolve na poeira das décadas. Não. Falo de algo anterior à polis e ao partido, anterior até ao verbo que nomeia as coisas: falo do humano. Do caráter como substância moral, da sensibilidade como instinto primeiro da civilização.

(...)

Mas o que mais dói, o que mais fere com lâmina fria, é constatar essa desumanidade latente em rostos familiares, nos nomes que habitam a lista de amigos. É a couraça polida da hipocrisia, o verniz de civilidade que recobre almas secas de empatia. Deparo-me com posts, leio comentários e assisto a julgamentos em praça digital — e vejo: somos uma espécie capaz de criar a poesia e a justiça, mas que se entretém, dia após dia, a urdir formas novas de crueldade.

E, se há um lamento a fazer, é este: como pode o humano, sendo o único ser que chora pelos outros, tornar-se também o único capaz de negar-lhes a dignidade com tamanha leviandade?"


De LUÍS OCHOA...

Que terá, com certeza, muitos que o lêem em segredo e com medo... Não é o meu caso... Aliás, há palavras que não se substituem, identificam-se! 

Contudo, como marca pessoal, fica a imagem, tirada em Sevilha há cerca de um mês! Em mais uma etapa da minha busca do "eu", do meu lado pessoal...

E se procurassemos fazer o mesmo para procurar compreender os outros, incluindo tantos que (supostamente) "choram" pelo sofrimento, sem aclamar a "poesia", a "justiça" e a "empatia".






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