SOLSTÍCIO

 


Romantizamos o Natal.
Como se este fosse um período de amor e de paz.
Como se pudessemos esquecer por momentos o que e quem nos fez mal ou todos os nossos problemas desaparecessem.
É como se os conflitos estacionassem por momentos. As luzes e a alegria dos eventos tocam-nos, distraem-nos, por entre o brilho, a esperança. Tudo agora será melhor.
Esquecemo-nos que o Natal ocorre no auge do solstício do Inverno no hemisfério norte, os dias diminuem, as noites crescem. É um tempo frio, não só climaticamente, mas energeticamente.
Um tempo tenso, muito tenso. Nada nos resta após a "magia" do Natal, os preparativos, a clausura em nossas casas, fazer como ele, partir para o mundo novamente.
Sim, o menino, entretanto cresce. Depois dos magos, do Egito e de regressar à Galileia.
O difícil agora é manter. Manter tudo o que nos torna seguros, nos permite realizar as conquistas diárias, sobreviver a um mundo difícil. Manter as nossas relações e, sobretudo, o autocuidado.
Não sabemos, perante a tensão, se nos encaminharemos, perante também um novo ano "Maia", para um movimento ascendente ou descendente do nosso próprio desenvolvimento e das nossas vidas.
Tudo depende de nós, essencialmente, de nós.
Há que agradecer a abundância da nossa vida;
Ecoar a força criadora;
Pedir proteção e luz;
Um tempo de (re)nascimento exige dar ênfase aos projetos, traçar novas metas;
Aquecer o coração.
Este último ponto parece o mais incompreensível e difícil, mas um tempo frio e tenso (o parto por muito bonito que seja é marcado por tensão) exige algum aquecimento, não só exterior, mas também interior.
Antes da Primavera e novos nascimentos, o Inverno será ainda longo, tal como as dores de crescimento. Que o diga o menino.
Contudo, há que sentir sempre que a vida vale a pena!
E "quem não tem cão, caça com gato", certo?


R.A.O

26/12/24

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