SEM POUSO DEFINIDO

 


"Sim" exprime anuência.
Eu prefiro, sem despeito pelas regras (gramaticais), sinónimo de "dar".
Procuro dizer "sim", pelo simples ato de "dar", doar-me.
Nunca pelo simples e mero efeito de consentir.
Não houve uma única vez que ouvissem da minha boca um "não".
O que é afinal dizer "não"?
Envolve, pura e simplesmente, recusa, oposição ao "sim". Sem compassos de espera, pois não falamos de advérbios de circunstância.
O meu "sim" em todos os planos, espiritualmente e humanamente falando é um "sim" comprometido e completo.
Não em tão raras ocasiões, suspendi o meu "sim".
Afinal, há momentos, há tempos e há pessoas.
Também já o retomei, menos vezes.
Com o tempo e a desilusão, o meu "sim" foi-se tornando cada vez menos excedido, mas igualmente forte.
Nunca me irão ouvir dizer que "não".
Contudo, a minha natureza é exprimir-me por palavras, palavras essas que se mantêm em suspenso, sem um pouso definido.
Não deixemos nunca as palavras, mesmo que pequenas ou meros advérbios serem esquecidas ou tornarem-se circunstanciais.
Sob risco de pousarmos infinitamente.

R.A.O
28/12/2024

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