REFLEXÕES



Quem um dia amou alguém com o coração, seja um amigo, um familiar ou um relacionamento amoroso, nunca irá se desapegar totalmente dessa pessoa!
Pode ter de ficar longe ou mesmo separado dela, em silêncio, mas irá sempre compreendê-la, aceita-la como é, preserva-la e perdoa-la ou então nunca a amou! Não se ama, pois não se liberta!
A ideia do desapego total associado à libertação pessoal é uma falácia. Senão, onde guardamos as recordações? Até hoje não descobriram um lugar no cérebro que as apague e muito do que esquecemos está no nosso inconsciente, havendo técnicas que nos permitem ir buscar certos acontecimentos, momentos que julgavamos apagados... Caso contrário, seremos meros narcisistas, propensos ao esquecimento, à não distinção realidade/imaginação!
Contudo, devemos aproveitar a maré de "desapego", sobretudo para nos desapegarmos/libertar-nos de nós próprios, observar-nos no "camarote", escutar as nossas emoções e reações, quais as que nos levam a reconhecer as nossas necessidades em dado momento preponderante. Quais os nossos interesses e reivindicações mais profundos?
Só assim invertemos o autojulgamento que o fim de um ciclo geralmente propicia de forma facilitada e embarcarmos no autoconhecimento, um caminho mais trabalhoso e difícil, mas necessário!
Afinal, eu já não sou a mesma pessoa após um acontecimento inesperado/traumático, tenho de negociar comigo próprio e atingir o meu principal objetivo: O meu SIM interior, ciente das dificuldades de alcançar a proteção e a segurança e a conexão e o amor, mesmo sob a intervenção de um agente divino, dos mais próximos ou de ajuda especializada!
Nem Deus nem os outros farão a nossa parte! Nem a felicidade é um estado permanente! Nem o futuro uma porta que conseguimos fechar seja a quem for, por muito que queiramos... 

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