O dente de leão e os lírios do campo

 


Era uma vez os lírios do campo.
Que seres maravilhosos, de uma beleza estonteante.
Que bela coloração aquela que via!
Eu, um mero dente de leão, jamais conseguiria arrebatar tal visão.
Até que um dia, as "belezas" me ignoraram!
Coitadas, se ignoravam aquele pôr-do-sol maravilhosamente visível, não iriam ignorar um dente de leão, velho e grisalho?!
Contemplavam-se a si e aos seus.
(Exceto os que murchavam, pois estavam a ficar "feios"!)
"Que falta de empatia", dizia eu. Que constrangidos eles ficavam.
Quer dizer, ignoravam-me e queriam que tivesse cuidado na hora de falar!
Enfim, tudo se resume, de fato, a momentos...
Bastou uma rajada de vento para que toda a minha coroa velha e grisalha voasse, deixando no meu campo, praticamente, só a raíz e o caule.
Partes de mim estão hoje em diversos lugares.
Fui e sou feliz até na partida!
Já a beleza, essa é passageira!
Acho que os meus amigos lírios terão de se habituar a contempla-la sozinhos. E, quem sabe, a morrer feios e tristes, condenados ao esquecimento.
Só desejo que sejam felizes!

R.A.O
25/11/2024

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