MEDO
Oh meu incomparável amo
Vieste a mim sorrateiro
Entraste como um forasteiro
Nem me pediste primeiro
Não dei pela tua presença
O meu interior tu consumias
Sozinho na doença
O meu coração tu ferias
Por alturas pensei que não existia
Tal era o perigo que sentia
Uma paranoia se movia
O antigo eu partia
Foi muito tempo
Momento após momento
A querer que embora fosses
Mas não me livrava daquele tormento
Eu teu escravo era
A Primavera já não morava
O leme não dominava
O tempo se esgotava
Oh medo volta de onde vieste
Estou farto da tua agrura
Deus… Meu Deus… Onde estas?
Devolve-me a doçura
Os belos dias já surgem
Um porto de abrigo encontrei
Eu sei onde ele mora
E ele onde estarei
Oh amo malvado
Que me deixaste desnorteado
Evapora-te na tua própria escuridão
Nunca mais quero este triste fado
Seguir em frente é o caminho
O cais está prestes a surgir
O que lá vai, lá vai
Não quero mais ao que sou fugir
Para trás não olharei mais
De vez em quando ainda te miro
Oh incomparável explorador frio
Meu amo já foste, agora do meu “eu” te tiro
Medo… fica aí
Eu cá fico aqui
Com Deus estou
O sangue de Cristo bebi
R.A.O
2019
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