MARÉ VAZA
É assim que ela está, não é verdade?
Nem alta, nem baixa!
Alberga tantos seres vivos, outros a experimentam.
Tantos outros a exploram, poucos cuidam dela!
Ela lá vai andando, no limite, da maré alta para a maré baixa, deixando expostos trechos de areia e rochas que estavam submersos.
Sim, a maré está a baixar de dia para dia, como se fosse lágrimas, mesmo que não de forma visível.
Talvez esteja a querer ficar sem ondas, a ter a leveza de um rio, cansada que tudo desague nela!
De no Verão todos a abraçarem, para no Inverno não ter quem as experimente, excetuando os verdadeiros surfistas.
Ela deixou de acreditar no amor genuíno e desinteressado. O amor tornou-se um recinto armadilhado, onde muitos não pedem licença para entrar. Está a transformar-se num vazio de conhecimento, caráter, disciplina e mentalidade.
A maré apenas está a trabalhar os seus, a tentar também ela ser feliz, cansada de ter sempre palavras para dizer. Podemos dizer que, também ela, terá causado estragos, é certo!
Talvez, por isso, esteja vasa, mas não baixa! O arrependimento não é sinónimo de renúncia, aceitação ou humilhação!
Jamais ela levantará ondas sem necessidade, a não ser que seja provocada, o tempo do grande dilúvio já passou... por isso está vaza!
É nesse vazamento que procurará continuar, procurando evitar que a destabilizem, que velhas tempestades sejam usadas como argumento para que volte a falhar e fique sob domínio novamente. Já basta aquilo que pouco ou nada pode fazer!
A maré está vaza... porque está em paz! Aquela paz que alguns ventos não aceitarão...
R.A.O
24/07/2025
Olhar de 2024

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