VENTOS DO NORTE
A borboleta resistia a sair do casulo...
Quanto foi lagarta, subiu sozinha o penhasco, resistiu a muitos pássaros que a queriam caçar!
Tudo isto, enquanto as borboletas voavam...
Até que ouviu os ventos do Norte e saiu.
Sempre com medo que as outras borboletas se rissem dela!
Pois... quando foi lagarta misturou-se e não chegou ao cimo do penhasco.
Ficou presa naquele penhasco disfarçado de tradição!
Mas agora... agora já não rastejava... tinha asas!
Voava sozinha na sua curta esperança de vida...
Enquanto as outras borboletas voavam juntas, sem questionar, ela seguia o seu próprio caminho...
Guiada pelos ventos do Norte!
Contudo, resistia a chegar ao cume daquele penhasco...,
Agora que tinha todos os instrumentos à sua disposição!
Havia dias que parava de voar, cansada!
Mas, jamais agitaria as asas... muito menos quebraria o silêncio que em lagartinha lhe demorara a conquistar!
Sabia que o tempo era cada vez mais escasso e um dia voaria até às nuvens!
Então, continuou a voar sozinha, mas acordada! Cada vez mais alto!
Nas nuvens, fazia pontes que as outras borboletas jamais imaginariam que faria...
Quando deu por si chegara... cansada!
Era hora de repousar, mas ainda tinha de pôr os seus ovos... o ciclo da vida, o seu legado não poderia esperar!
Seria melhor deixá-los lá e partir...
Não... Os seus filhinhos teriam de aprender a voar, esperando não terem de enfrentar o que enfrentou!
Uma caminhada rasteira e solitária...
Tão pouco demorassem tanto tempo a sair do casulo e aproveitar as maravilhas da natureza!
Voou então uma última vez... com as forças que lhe restavam!
Agora a baixa altitude...
Vaso a vaso, planta a planta colocou os seus ovos!
Despediu-se dos filhinhos que não veria nascer... disse-lhes adeus, na promessa perene que, onde estivesse, olharia por eles!
A caminhada seria solitária, mas jamais estariam sozinhos!
Regressou ao vaso onde começou por ser lagarta...
As asas caíam, murchas e permitiu-se descansar!
Voltara a ser lagarta, mas agora, mesmo sem asas, conseguia voar ainda mais alto...
E, se sua vida virasse música, ela seria o refrão, a clave de sol que revolucionara o que significa ser borboleta e como vale a pena escutar... os ventos do Norte!
R.A.O
23/05/2025

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