JESUS E JUDAS - UMA HISTÓRIA DE AMOR
Se interpretarmos o episódio de Judas de forma invertida, apercebo-nos que quem trai é também quem mais ama!
A traição muitas vezes vem quando já não aguentamos tanta admiração e, muitas vezes, tanto é o amor que dedicamos que, cansados, somos capazes, na nossa fragilidade humana, de pensar que deixamos de amar e deixamo-nos corromper, inclusive pela ganância e ambição desmesurada, tomando caminhos mais fáceis.
É aí onde reside a nossa fraqueza e o fim de tantas relações, quando escolhemos a traição em detrimento de uma nova oportunidade no amor, na amizade ou na família, mesmo que isso implique uma difícil reconstrução.
Judas terá tirado a própria vida, fruto do remorso, o mesmo que nos faz perceber que, afinal, nunca deixamos de amar a outra pessoa, estávamos apenas vazios de esperança, à espera de novidades, como se Deus fosse um mero relojoeiro.
Contudo, o gesto negativo de Judas permitiu a morte, mas também a ressurreição de Cristo. Ele que queria fazer o mal, contribuiu para que no final tudo tivesse terminado em bem.
Cristo terá partido na absoluta certeza que Judas o amava, até invertidamente, que não era "digno" de receber "tanto" amor. Partiu, assim, bem resolvido com o discípulo que primeiramente se reencontraria com ele na casa do Pai.
Alguma vez imaginamos como terá sido esse reencontro?
Conseguiremos identificar os "Judas" da nossa vida e como as suas traições nos libertaram?
Vamos carregar connosco a mágoa ou a gratidão?
Quando o reencontro chegar pois, de uma forma ou de outra chegará, o que lhe iremos dizer?
Estaremos renascidos à luz de uma nova Páscoa?
Sendo tu agora um ser liberto, darás uma nova oportunidade, o reconstruirás ou o amor perdurará, mesmo não se sentando mais à mesma mesa?
R.A.O
2025, Quarta-Feira da Semana Santa

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