Dr. , Eng°, ... ?

 Os "Doutores" e "Engenheiros" deviam alterar os respectivos nomes dos cartões de cidadão, acrescentando as abreviaturas "Dr." e "Eng." ao mesmo?

Há uma razão histórica para o título de "Doutor", meramente académico, e que, por isso, se tanto, deveria manter-se nesses meios e não nos círculos pessoais e sociais generalizados.

No reinado de D. Maria, algumas classes de trabalhadores liberais (isto é, médicos, advogados e outros que tantos), não se sentiam reconhecidos o suficiente e reclamavam esse reconhecimento. Foi, então, publicado um decreto real que estabelecia que doravante todos os que estudassem, particularmente direito, medicina e teologia e os concluíssem com sucesso teriam o reconhecimento merecido e começariam a ser tratados por "Dr."

O mesmo para todos, nas mais variadas áreas, que concluírem com sucesso o seu doutoramento (como há os mestres e os licenciados). 

Engenheiro não é necessariamente um título, mas uma profissão, tendo a sociedade associado meramente o indivíduo à sua profissão, achando estar a engrandece-lo! É como chamar, logicamente, professor a alguém que leciona, soldador a alguém que solda, arquiteto a alguém que projeta casas ou paisagens, imperador ao chefe de estado do Japão ou referir meramente a sua profissão num contexto de apresentação. 

Egos e/ou fragilidades medievais à parte, considero ser muito bonito tratar, informalmente, e em contextos de formalidade fora do âmbito academico/profissional, as pessoas pelo seu nome. Quanto muito e por uma questão de respeito "Sr." ou "Sra.", sendo que (muitos de) nós o somos, independentemente de profissões ou títulos de academia. 

Ninguém tem o direito de criticar todos os que com o seu esforço alcançam estes reconhecimentos. 

O que é questionável é a diferenciação social adjacente em contextos de (falta de) cidadania e o hábito perverso de inferiorização de tantos meritocratas, alguns até analfabetos, que trabalharam imenso para terem o que têm e, muitos, o que não têm, contribuindo tanto ou mais para o desenvolvimento do tecido social e nos diversos ramos setoriais.

Pessoas que morrem esquecidas em nome de um falso liberalismo e do intelecto, que eu admiro. Uma mente intelectual é das maiores riquezas do ser humano, mas não chega para a sua valorização social que, de resto, vale o que vale!

R.A.O

15/05/2025




 

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