A RODA DA FORTUNA
Todos nós temos múltiplas facetas... e damos a conhecer aos outros, precisamente, aquelas que desejamos!
O ego é opcional, já a conexão com o nosso "eu superior" é mais difícil, pois precisamos de regressar ao centro da roda, ao cerne da nossa serenidade, afastando-nos dos limites da mesma e da sua instabilidade!
O mundo "engole-nos" se assim não for!
Ele continua a ser um lugar bonito, nós é que insistimos em não cultivar o nosso oásis, deitar o seixo ao rio e permitir que a corrente o leve para que outros possam plantar o seu!
Continuamos fechados no nosso mundo e a não admitir que o que criamos e idealizamos tem o seu prazo de validade! Estamos assim presos a velhos hábitos, projetos, rituais, condutas que já não funcionam... e não nos permitimos transformar, deixar algumas coisas para trás... até mesmo quem um dia fomos!
A nossa "criança" é tudo o que devemos conservar, dizer-lhe que não vale a pena se sentir culpada. Foi tudo o que conseguiu ser! O adulto é que o deverá fazer por um dia a ter fechado numa gaveta em detrimento da mágoa e da ânsia do reconhecimento que nunca chegou. Haverão gavetas que se fecham que um dia se voltarão a abrir... e isso custará muito!
Entretanto, o centro da roda é o presente! E, na nossa serenidade, a nossa vontade de ir e deixar tudo alinha-se com a vontade de também ficar... haverá, certamente, a meio, um lugar que nos equilibre!
Aquele lugar onde, muito para além dos artífices, da "máquina de trabalho" que queiram que nós sejamos, procurem compreender a nossa história! Um lugar onde não precisemos de nos "fechar" e dizer, quando olhamos para tantas situações: "Quem me dera que tivesse sido assim comigo!..."
Aí reside a tragédia de muitos que querem dar aos "seus" a estabilidade física, intelectual, emocional e espiritual que nunca tiveram, passando para eles as suas inseguranças... de tantos outros que se tornam cobiçosos!
Por conseguinte, há ciclos que não se quebram! E o centro da roda permanece por ocupar, refém dos seus limites!
R.A.O
30/03/2025


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