Solistência


Admiro a solidão das coisas sós

Admiro a solidão dos gatos

Admiro a solidão das plantas 

O simples sentimento de contemplação

Admiro a solidão da própria existência

Tudo o que foi e já não é

A solidão do tempo e de um determinado tempo

A solidão do indivíduo

A sua provação! 

Da pessoa que um dia foi e já não é

A solidão do dia e da noite

A solidão divina

Quão só será Deus? 

Porque decidiu simplesmente "criar"?

Não para deixar de estar, mas continuar só!

Diante esta "solistência", avanço acompanhado...

Por ele! 


(Inspirado no poema de Guimarães Rosa, Olhos que leem)


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