Pensamentos soltos



Hoje imagino-me menino, a pensar na saudade que tenho de ver uma vida colorida a preto e branco.
Sempre na inquietude permanente, no sentir constante que a maioria dos dias são cinza, no desidério pelas cores do arco-íris, tão breve que vira pó.
Cada pulsação é hoje uma simples batida de alguém que vai vivendo na sobrevivência plena, na necessidade de criar. Da sua própria estrutura. Na essência auto-didata. Na absorção das energias vis. No esquecimento de si. Ilusório no concreto. No perdão que por vezes se torna cansativo. Na oblação que é apenas um desejo. No cansaço da retaguarda. Na questão permanente. 
E a dúvida torna-se eterna, a arrumação dos dias vira bagunça em poucos minutos. Na convicção ilusória que a preocupação por ti não existe. Na prova, no fundo viva, que o teu coração está envolto numa muralha onde muitos entram, mas que não quer trespassar o sentimento, os anseios, os medos.
Em breve o sol voltará a nascer e mais uma vez o pôr do sol virará passagem. Só posso ter tudo quando não tenho nada. Só sei que nada sei. Só sei que cada linha deste sentir precisa ser plenamente partilhada. Meditar na capa, folhear o interior incrédulo e insatisfeito. À priori generoso. Parto na introspecção que o pronome pessoal EU não é só singular e primeiro, mas sobretudo pessoal.
Nesta alegria da escrita, me retiro... Num novo acordar que se avizinha! 


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