Equilíbrio

 


Não é fácil encontrar o nosso equilíbrio. Só o vamos alcançando, talvez sem nunca o conseguir na plenitude, tão pouco em todos os momentos, quando nos apercebemos que há realmente uma entidade entre nós e o mundo concreto, desde a parede que está à nossa frente, símbolo do obstáculo que pretendemos ultrapassar até à natureza visível. 

Essa entidade (invisível portanto) é nada mais nada menos do que a natureza criadora, a alma de todas almas, o corpo que manivela todos os corpos, cuja matéria nos é desconhecida e que chamamos de Deus. 

Para mim tornou-se essencial, todos os dias ao acordar e na noite que eu tanto amo reservar no mínimo 10 minutos para meditar. Fora outras horas se vir que existe oportunidade para tal. Porque é na meditação, na consciência da minha própria respiração que me sustém, que me agarra à vida, que eu tenho a plena consciência do TEMPO, que eu sou o meu tempo. Porque é no controlo do meu ritmo cardíaco que me apercebo que o verdadeiro tempo é o momento presente, que as pulsações do passado serviram para a aprendizagem e controlo da minha própria vida e que, no futuro, não sei sequer se o meu coração baterá. 

Controlando a minha respiração e ritmo cardíaco, sobretudo durante o processo, reduzo a minha ansiedade, esvazio a minha mente. Não que a minha mente fique vazia ou oca. Mas, tal como Pandora, liberta apenas o que não é essencial e aguarda o momento certo para libertar o mais importante. A ansiedade mantém-se, mas a ansiedade controlável, por algo bom, sem stress ou riscos de depressão... 

A meditação por si só não basta. É necessário dar caminhadas, mesmo que curtas, procurar ler e fazer outras coisas que gostamos. No meu caso, escrever, partilhar. Orar para quem é crente. Não dispenso uma oração depois da meditação por exemplo, agradecendo a Deus que esteve lá, entre mim e o meu ambiente envolvente. Noutros momentos, escutar a sua palavra. Vive-lo, senti-lo, celebra-lo! Conhece-lo! Trabalhar, conviver, aproveitar sobretudo os pequenos momentos. 

O processo de autoconhecimento não é fácil, é muito difícil. É muito complicado nos apercebermos que somos e fazemos os nossos próprios limites, mais ainda sabermos quais são... Eu ainda não sei quais são os meus, não todos... Só sei que entre mim e Deus não os há, tal como entre mim e todos aqueles que mais amo e estimo. Esses são escolhidos por mim dentro do dom da liberdade que Deus nos dá.

Só ele se pode meter entre mim, a natureza e os meus ambientes circundantes. Só estas pessoas o poderão também fazer em contextos específicos, onde estão inseridas...

No final, sabemos que o equilíbrio se vai alcançando com amor, solidão, silêncio e na certeza absoluta que não estamos sozinhos. Que há um Deus à nossa espera... Pessoas à nossa espera!

06/10/2020

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