Tudo o que sou...
Hoje entendo que tenho de reconhecer este facto com humildade. Não posso buscar consenso, pois o ato é superiorizar-me, o impossível efeito seria reduzir-me...
Não sou consensual pois desde os 20 anos que tenho uma certa exposição, mas sobretudo desafio em todo o lado para onde vou a cultura do pensamento único ou do monólogo. Em todos os lugares onde estou observo silenciosamente os ambientes que me rodeiam. Os meus diálogos são com todos, não obstante a cultura do silêncio. Quando se fala ao mesmo tempo existe muito ruído...
Não sou consensual na família, nas amizades e em outros lugares pois cometi erros (e realcei muitos também). Escrevi certamente o que não devia escrever. Disse o que não devia dizer. Ciente porém que fui essencial na alteração de muitos estados de coisas, mesmo que indiretamente.
Hoje aproximam-se muito mais de mim pois supostamente não tenho já uma visão apaixonada da vida, ideologias e defesas tão acirradas! O segundo ponto é verdade. Não desistindo do que acredito, sei que não podemos mudar o mundo, tão pouco a nossa comunidade de uma forma repentina, sobretudo quando há muito enraizado, visões tradicionalistas cujo tempo ainda não é o certo para serem alteradas em definitivo. O primeiro ponto mantém-se. Tenho uma visão apaixonada da vida, mas tornei-um apaixonado cauteloso!
Apercebi-me, particularmente ao longo dos últimos meses que uma gota no oceano ou um grão de areia precisa de todo um oceano, de toda uma rocha para se erguer e erguer cada grão, cada gota que os constitui. Que não faz mal demonstrar a nossa fragilidade, que não nos tornamos pequenos por delegar tarefas aos outros. Que existe apenas um lado numa comunidade e assim deveria ser no mundo, mesmo que com diferentes ideias e projetos.
Por vezes sinto que perdoei pessoas e nunca fui perdoado. Adormeço tranquilamente no meu travesseiro pois tudo o que de bom me aconteceu sentimentalmente, profissionalmente, entre outros pontos ao longo dos últimos meses e anos resulta da dicotomia causa e efeito. Se fazemos o bem, se somos positivos, atraímos isso mesmo. Sinto sobretudo que existe um Deus que gere tudo isto!
É preciso "deixar ir", deixar os lugares onde não somos valorizados e seguir em frente. Deixar o que nos acontece de melhor para nós próprios! Saber escutar quem de fato nos quer bem e não quem tem apenas prazer em opinar ou nos destruir interiormente. Num mundo imensamente complexo devemos elogiar em público e criticar em particular. O elogio não pode ser confundido com a sobrevalorização da pessoa!
Mas tudo o que sou hoje se deve não só a alguém, mas a muitos.
Nos dias e horas mais difíceis, numa luta interior permanente e decorrente de 7 longos anos que parecia não terminar, de altos e baixos, foram muitas as pessoas, que tantas vezes pensei não confiarem em mim ou não estarem verdadeiramente ao meu lado, que no final revelaram que o processo de crescimento até "tudo estar bem" exige tempo, exige paciência, mas sobretudo uma certificação que não devemos dar um passo maior do que a perna...
Hoje "tudo está bem". "Tudo está bem", mas não acabou bem nem mal. O futuro é um lugar e um tempo que desconhecemos.
Tudo o que sou se deve essencialmente a todos os que se mantêm comigo até hoje. Não sou uma pessoa consensual. Não quero ser. Contudo, é consensual que atraio e sou atraído por muito amor, apesar da minha ironia e do meu forte sentido de "proporcionalidade direta"!
As pessoas que melhor me conhecem perguntam-me muito mais hoje do que no passado: "Estás bem?". Parece que adormeço por vezes num vazio e que as palavras se perdem muito mais... Os pensamentos, felizmente, também... Até escrever me custa. Custa-me ser mais criativo... Custa-me hoje muito mais não ter tempo para a minha vida pessoal... E não ter tempo para tudo aquilo que abracei ao longo dos últimos 7 anos!
Contudo, fluir custa-me muito menos. Apesar deste ser o texto mais difícil que já escrevi! Nunca pensei que escrever um dia se tornasse tão difícil, mas tão apaixonante, e viver tão fácil!

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