Os Cristãos não terão sido sempre uma minoria?
Não teremos sido sempre uma minoria?
Diz a geração da minha mãe que no seu tempo, os cristãos eram uma maioria. Praticamente todas as crianças faziam a primeira comunhão e a antiga “comunhão solene” e, enquanto isso, iam com regularidade ao terço, às vias sacras e outros momentos. Quando saíam da catequese, ao fim de muito menos anos face à duração atual da caminhada catequética, sabiam todas as orações, ritos e rituais, regras e formas de estar na igreja, particularmente na eucaristia! Contrariamente à “juventude atual” que não dispõe dos mesmos alicerces estruturais de outrora.
A minha mãe, nos seus 66 anos, tem uma opinião diferente, sobretudo quando o seu filho se tornou catequista e lhe apresentou uma nova forma de ver a igreja e aquilo em que esta se precisa alicerçar desde já: A evangelização pela leitura e interpretação da palavra de Deus (escutar, interiorizar o conteúdo e a mensagem e converter-se na temática específica), numa base coletiva, mas também individual, no respeito pela fé de cada um, conjugando-a com os dogmas intemporais, presentes na oração do “credo” e que constituem a doutrina católica.
Para lá de decorar orações, ritos e rituais, precisamos de os entender. Deixar as nossas crianças e jovens serem livres para os experienciar, falharem, darem o seu pleno contributo nesta igreja em transformação, sobretudo quando falamos imenso de uma igreja sinodal. Sermos no nosso testemunho, um exemplo para eles!
Mesmo que no futuro sejamos uma minoria, será sempre melhor do que persistir nesta ideia antiquada que o “ser cristão” é universal. Deveria ser, mas ainda não é possível. Temos de nos esforçar para que seja, mas até lá nos preparamos para uma quantidade (cada vez mais) reduzida de cristãos, sabendo de antemão que uma qualidade maior poderá mudar o mundo. A igreja terá de estar ao lado e em sintonia com o curso dos acontecimentos e as mudanças cada vez mais rápidas de um mundo cada vez mais globalizado, liberal e fortemente laicizado, em tudo o que isto tem de positivo e negativo!
Teremos de reconhecer a realidade do passado. Se calhar “ser cristão” também não era, nem nunca foi, para todos. Ou muito menos até. Nunca como hoje vivemos os verdadeiros ideais do cristianismo como a liberdade de escolha, o respeito pelo próximo, o acolhimento da diferença e a cultura de diálogo, a conversão autêntica, afastando-nos da rigidez do passado. Será que no passado a maioria era de fato cristã ou apenas seguiu um caminho baseado na tradição, na cultura judaico-cristã que sempre regeu as nossas sociedades, a política transversal do pensamento único, descartando em parte os valores como a tolerância, a compreensão ou a autêntica compaixão? A liberdade de cada um ser o que quiser, no seu carisma, desde que Cristo seja a sua luz! Desde a mais tenra idade, daí a catequese de infância e da adolescência ser cada vez mais essencial, mas também uma maior universalização da catequese de adultos!
Estará a Europa de fato cada vez mais descristianizada ou só hoje conseguimos ver a verdadeira realidade, talvez transversal ao tempo, mas que hoje é mais notável? Não teremos sido sempre uma minoria? Ser Cristão, católico, sempre foi, de fato, para todos? Só sei que a beleza de ser católico é saber que ainda há muitas pessoas nas periferias, físicas e espirituais, à espera de serem resgatadas, tantas delas que estão preparadas, entre adultos e crianças!
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