A minha avó Deolinda


Deolinda de Oliveira Couto, ou simplesmente a minha avó, nasceu a 8 de Setembro de 1923, na freguesia de Folgosa, onde nasceu, cresceu e viveu até ao fim dos seus dias. 

Filha de Alice e Antônio, era a única de quatro filhos de Alice (1900-1993) e António (1894-1960), irmã de Maximiano (1920-2005), Luciano (1924-2007) e Manuel (1935-1966), casados com Arminda (1924-2019) e Dolores (1930-2020), respetivamente. 

Finda, a terceira classe foi trabalhar. Casou-se com Arlindo Ferreira Maia (1921-2008), com quem teve seis filhos: Luciano (1944-2005), António (1946), Arlindo (1949), Alice (1951) e Maximiano (1955), meu pai. Pelo meio teve uma filha, falecida aos 9 meses, de quem nunca se esqueceu...

Foi avó de 21 netos, sendo eu o mais novo, e bisavó de 13 bisnetos, a última que não chegou a conhecer... 

Da minha avó, recordo a sua alegria e paixão pela vida. De acordar de manhã muito cedo e se recolher igualmente muito cedo. De se ocupar das tarefas domésticas e do campo, de passear pela bouça ou, quando não estava em casa, visitar os filhos e os amigos. 

Nos últimos anos, após o falecimento do meu avô, foram muitos os diálogos que permanecerão para sempre no meu coração, muitas as histórias e acontecimentos relativos à sua vida partilhados, muitas as vezes "trengava" com ela e era "mandado para outro sítio". Recordo com saudade a sua curiosidade relativamente aos passatempos dos programas de televisão pelo dinheiro que estes receberiam, estranhar os animais dentro de casa ou as novas tecnologias... 

Diz a minha mãe com frequência: "Sais mesmo àquela raça", dos coutos! Facilmente me irrito, sou muito teimoso, "teimosamente poupado", frontal e tantas vezes "sem filtro". Claro que podia referir a minha "mesquinhez", associada aos mouriscos... 

Da minha avó herdei, de outro modo, o amor pelo trabalho e a necessidade de sermos úteis. Tenho aprendido nos últimos anos, à sua semelhança, a não me importar com o pensamento dos outros... 

Não serei resistente, em termos de saúde, como ela era. Mesmo na doença, conservou sempre a sua personalidade e marcou a sua posição até não poder mais. Uma mulher forte, particularmente dura, em tempos difíceis, muito difíceis por que passou, tendo sido sempre uma autêntica matriarca. 

Apesar de não ser propriamente alguém que dava mimos, notava-se no olhar o seu amor, um amor muito próprio, pela família. Quando olhava para a décima bisneta de seu nome Ema, dizia se lembrar da filha que partira. 

A 11 de Julho de 2011, há precisamente 10 anos reencontrou-se com os dois filhos que foi obrigada a deixar partir, tal e qual 3 dos seus netos de quem teve de se despedir... Estava a 3 meses de completar 88 anos! 

Apesar de doente, a sua morte deixou-nos surpreendidos. Dizia ela muitas vezes que a médica referia que teria uma "morte santa". E assim foi... 

Assim é...

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