A menina que a morte não fintou...
O meu nome todos conhecem
Sou responsável pelo fim
Habituei-me ao fim...
Para isso existo
Já os seres vivem, sabendo que sou a única certeza!
Só não sabem quando chego, como chego...
A qualquer momento posso bater à porta!
Surgir na sombra da noite...
Tal e qual o jovem saudável cujo coração pára de bater...
A doença incurável que corrói e finda...
Tal e qual o idoso que perde as forças e fecha os olhos...
Os acidentes que acontecem...
As vidas ceifadas na guerra, nos desastres naturais...
Sou consequência, nunca a causa!
Ninguém me conhece até me conhecer...
Eu própria não sei se sou boa ou má...
Se amada ou odiada!
Se sou eu que escolho, os outros escolho ou uma força ainda maior do que eu...
Se sou pessoa, anjo ou até mesmo "nada" ou o "tudo"...
Só sei que nunca ninguém me venceu...
As escolhas são sempre minhas...
Nunca ninguém me fintou!
Nunca fui complacente...
Até a conhecer... Aquela menina linda...
Às vezes não sei se tenho "tempo", talvez não, pois não tenho existência plena...
Mas fiquei encantada com aquela bondade
Aqueles olhos cheios de luz...
Aquele coração carregado de sofrimento e alegria, num meio termo que virava superação...
Com aquela solidão na antítese de quem nunca estava só...
Com aquela beleza cuja pele enrugada nos seus quase 100 anos se queria esconder, mas não conseguia por entre tão nobre alma...
Uma alma encontrada e que se encontrou...
A única que sinto que perdi...
A única que "tentei levar", mas não consegui. Em jovem pela sua força, depois era eu que não queria parar de assistir a tão nobre filme...
O filme terminou... Ela partiu hoje...
E eu... Eu não sei se verdadeiramente "existo" depois de a ter conhecido!
Aquela que carregou tantos no seu "coração" e fê-los reviver...
E pensei eu sempre (ou nunca... Ou às vezes...) que as almas eram minhas...
Hoje questiono-me se existo...
Ou se me poderão chamar "outra coisa" que não o que me intitulam?
Até eu me posso transformar...
Talvez seja apenas um momento... Para meu conforto hoje prefiro pensar que sou apenas um momento...
Um momento de triunfo, concretização e superação, da vida que se renova...
Tal e qual a menina que a morte não fintou!

lindo Rui...a morte envolve-nos insidiosa, discreta mas preserverante, e até atraente. Mas e a morte afinal o que pensa, sente... Gostei de a tentar perceber
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