O povo nulo


Hoje, nesta noite, ao fim de vários meses em que finalmente posso sair a um fim de semana, em segurança, sentado no "comboio das 23", tal e qual a JK Rowling quando imaginou a personagem "Harry Potter", sinto-me inspirado, na tranquilidade de um momento que num passado não muito distante era uma prática regular! 

Sinto-me feliz, consciente que o mundo lá fora já não é o mesmo e nunca mais voltará a ser, tal como as pessoas que em vez de aproveitarem a escuridão da noite para contemplar as estrelas, preferem pura e simplesmente queixar-se do frio... Em vez de contemplarem a beleza da lua nova, preferem dizer que não a vêem e, com isto, prescindem do seu grito de libertação, contrariamente ao lobo que vê nesta lua uma oportunidade para "semear" e preparar as colheitas do futuro. 

Já Pessoa intitulava a pátria como "nula e postergada". E é verdade, se a pátria para Pessoa era o "povo", então eis o povo nulo, sem esperança, negativo, manipulável, frustrado, sem capacidade de sonhar, de ver mais além de si mesmo e, perante a visibilidade dos olhos, incluindo os do coração, transforma a sua crença na necessidade constante de lamento, a ponto da sua súplica atrair mais desgraça...

A criação não é só um momento isolado e pioneiro da história, mas algo constante, um lugar belo, um ser, o Deus invisível a dar-se a conhecer em cada pessoa, em cada criatura, em cada paisagem. Um ser que ri, que não quer que façamos dos momentos difíceis um mero pranto, mas sobretudo um tempo de transformação, numa autêntica visão transversal, tal e qual o copo que não tem de estar vazio e, na impossibilidade de estar cheio, pode sempre ser preenchido com a água que nos dá vida, nos purifica e limpa o nosso corpo, a nossa alma vã e triste! 

Somos um povo cada vez mais decadente nos ideais, nos valores e até mesmo nos sentimentos que se destrói interiormente, um povo triste, sem fé, que se auto-massacra, pouco resiliente e que nada faz para procurar a luz ao fundo do túnel, que em muitas vidas permanece escuro, por muito que a luz divina procure alguma visibilidade nas almas vãs, outrora heróicas, valentes e até imortais! 

Hoje, almas mortas!

Hoje, almas mortas! 

Que precisam levantar o esplendor, a glória, quebrar os falsos egos com que se alimentam para desvanecer a tristeza e lutar! Lutar muito contra a ociosidade de pensamento e a negatividade da alma adormecida...

Urge sairmos da pandemia do medo e do "fado" e retomar a "ópera da coragem"! Hoje... Hoje! AGORA! 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Jesus Cristo, arquétipo de peixes - Sintonização Crística

A menina que a morte não fintou...

AS DUAS MARGENS DO MESMO RIO