Individualidade, família... E "Carlota"!


"Carlota" ligou para mim recentemente e fez-me a seguinte pergunta: 

"Achas bem certos comentários que proferes a admitir que te desconectas da tua família?"

Deve ter sido dos poucos momentos da minha vida que fiquei sem poder de argumentação e resposta. Felizmente, já tinha iniciado uma viagem regular pelas meditações e, como tal, refleti muito na resposta a "Carlota", nome fictício, claro... 

Fazendo um "resert", é verdade que há alguns comentários meus que me desconectam da família, dos amigos e até mesmo de mim. 

Não me esqueci de onde vim, do que fui, mas não posso ficar para sempre preso ao passado. Não posso viver permanentemente na sombra da família, dos amigos e até a minha própria sombra precisa muitas vezes de andar sozinha, sem mim. 

Eu sou muito mais do que um corpo visível. Aliás, somos muito mais do que um corpo visível. Sou alma. Somos almas. Sou espírito.  Somos espíritos. 

Logo, sou um ser que habita em diferentes contextos, com várias pessoas. E em todos esses contextos, sou eu próprio. Na família, nos amigos, que estarão sempre em primeiro lugar, tal como nos vários ambientes. Não me vou anular por ninguém, não deixando que me julguem por laços de sangue, de amizade, pelos outros, mas por mim. Pelo passado, mas pelo presente! 

"Carlota", seja ela homem ou mulher, vive assim presa (ou preso) a um certo tempo e lugar. Somos indivíduos sociais se conservarmos em nós a nossa individualidade, independentemente da vontade dos outros. 

No dia em que nos anularmos ou deixarmos que nos tratem pelo que fomos e não pelo que somos, pelo que gostariam que fossemos e não pelo que queremos ser, pelo que os outros são e não pelo que nos tornamos, a sociedade acaba e viramos, como "Carlota" um bando de inúteis.

"Carlota" que chegou onde chegou pelo lugar que a família ocupa e cujo talento é reconhecido por merece-lo, mas sistematicamente elogiado e divulgado pelo seu "berço"! "Carlota" que defende, no seu íntimo e inconsciente, uma sociedade da idade média, dividida em classes, onde a individualidade estava dependente de tudo, menos das pessoas. Onde pessoas como "Carlota" valorizavam a família, mas eram as primeiras a julgar os mais próximos em nome dos seus interesses. 

"Carlota", aqui vai a resposta, em público: 

Os teus comentários são em vão, os teus ideais vãos, as tuas palavras vãs... No dia que os ponteiros do teu relógio andarem para a frente e não para trás, quem sabe o perdão que me carateriza não se transformará em recomeço. O perdão aliado à mudança de mentalidades e comportamentos... 

Poderão sempre me dizer que afasto todos os que pensam diferente de mim. Não. Apenas afasto os que não pensam. Os restantes, eles próprios o fazem. Já "Carlota" tarda em fazê-lo...

Aguardo o dia que me reencontratrei com "pessoas novas", que prezam a sua individualidade, pondo de parte o individualismo. Que, no mesmo corpo, conseguiram finalmente renovar a alma e após o perdão, a reconciliação...

Até um dia "Carlota"...

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