A ti... "Soldado Raso" de Abril...
25 de Abril de 1974
Salgueiro Maia e outros capitães, com o apoio imenso de "soldados rasos", homens na verdade corajosos e fortes, marcharam para dar ao povo a liberdade!
Eis que o "soldado raso", heróico pode até hoje orgulhar-se do seu grito de liberdade, no sentido de dar um futuro às gerações na altura presentes e às gerações futuras:
Às crianças de Abril que estavam sós, a maioria mergulhada na pobreza e nas ausências: De oportunidades, cultura e conhecimento. Na perda perene da infância e da adolescência, num futuro incerto, recheado à partida de sacrifícios e que o "soldado raso" e desconhecido de Abril lhes devolveu.
Aos jovens e adultos de Abril que trabalhavam afincadamente por si, pelas suas famílias e pelo seu país. Tantos a viver na guerra convencional, outros na paz, mulheres sozinhas sem os seus "amores", homens trabalhadores e sem valor reconhecido, sem o exercício da sua própria identidade...
Aos idosos de Abril, tantos que não saborearam alguma vez a liberdade e que o "soldado raso" de Abril lhes permitiu usufruir nos últimos anos da sua vida!
Às gerações posteriores que hoje poderão dizer que são livres, mesmo perante as condicionantes da atual pandemia, testemunhas do desenvolvimento da saúde à educação, da segurança à defesa, num modelo de voluntariado, das finanças à economia, da ciência à cultura... Gerações que experimentaram uma imensidão de oportunidades, graças ao "soldado raso" de Abril.
Passaram-se 47 anos e a ti, "Soldado raso" de Abril te agradeço a oportunidade de uma vida de liberdade e dedicada à liberdade, à tradição que não se apaga, à vitória sob determinados paradigmas, pelo exercício cívico e da espiritualidade, guiando-me pela pessoa do "eu"!
Pela oportunidade duradoura da "desformatação", pela oportunidade única e válida do exercício do "eu", pela necessidade constante que o esquecimento não dê lugar a uma ditadura hipotecada, perante o aproveitamento das circunstâncias. Mesmo perante a desinformação que tantas vezes se espalha através de pessoas "agourentas", obrigado "soldado raso" de Abril por tudo, incluindo pela oportunidade, tantas vezes não aproveitada, do realismo!
E se os cravos são vermelhos, tu "soldado raso" de Abril és um autêntico guerreiro na memória dos que já partiram e na visão dos que permanecem perante as "guerrilhas" dos desgostos da recente história e dos "tratados" das conquistas alcançadas, sobretudo a liberdade e a paz, esta última terceira no mundo no valor absoluto da vida, ceifada no passado recente pela tortura e pela guerra. E tantas que se perdem por outros flagelos que capitães e soldados deverão combater nas áreas por si escolhidas, dos hospitais às associações!
Um agradecimento profundo a ti... "Soldado Raso de Abril"!

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