O renascer da serra
- Filho, anda, vamos subir o caminho que nos leva até Deus...
- Mamã, o caminho parece íngreme... Tenho medo!
- Quem disse, precioso ser, que o caminho seria fácil ou que a verdura da serra alguma vez substituiria a "celeste" magnificência do desafio da vida?
- Está bem mamã, vamos tentar...
Como terminou este diálogo, a dúvida permanecerá para sempre. Afinal, longos são os anos deste "sentir" materno, perante a dúvida do "nado vivo" que um dia "Mulher", cujo nome ainda não revelo, trouxe ao mundo!
Este "nado", dizem, que permanece vivo no "Montemuro" horizonte da serra onde tantos foram e tantos outros ainda dizem ser felizes...
Imagino-o prosseguir caminho, agora num monólogo incessante, assim:
- Mamã, hoje invoco o teu espírito no caminho até aqui percorrido e que não sei como termina! Mamã, tantas saudades tenho do "passado" no Montemuro, onde me convenceste a ficar...
Gravado no sentir do filho, eis a imagem da mãe, numa "altitude" de amor para sempre presente no coração da serra que tantos guarda!
Montemuro és, a elevação oitava do Português costume da "Arouca", da Cinfães Melodiosa. "Resende" é a tua fauna, num Castro Daire eterno, no Lamego suis géneris, por entre as regiões do Douro Litoral e da Beira Alta.
Talegre ou Talefe é o ponto alto num relevo único e esbelto.
- Mamã, no alto da serra, ainda hoje, observo as aldeias espalhadas, os cursos de água, a fé do Bestança e, por entre a flora identitária da serra, o teu doce olhar, a lágrima da despedida, a saudade do meu filho, teu neto, que partiu para outro lugar, da minha esposa que repousa no teu colo.
Montemuro, a serra do coração de tantos, habitat de lobos e raposas, pequenos coelhos saltitantes. Palco da visão do salgueiro e do sobreiro, da rima frásica da beleza intemporal...
- Mamã, Corine era o teu nome, acho eu. Do mais baixo lugar ao pico da serra, sempre te chamei assim: "Mamã"! Seja novo ou velho, desde sempre e sempre escutarei a tua doce voz, na "Nova Jerusalém" do palco da vida, no "Montemuro" recheado de águas refrescantes, tal e qual o salmo alegre e testamento valioso que me deixaste e que se resume a este lugar:
"A serra que juntos escalamos no lugar infinito, das gentes que sabem amar!"
- Amo-te mamã. Do alto, escuto a tua voz!

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