O meu pai (não) é o melhor do mundo!
O meu pai (não) é o melhor do mundo!
Nenhum pai é o melhor do mundo!
Todos eles cometem erros. O assumir da criação e da educação é por si só a característica chave da paternidade!
Tudo o resto? Tudo o resto é "entulho"! Qual é o pai que não comete erros? Qual é o pai (ou a mãe) perfeito?
Por isso não, o meu meu pai (não) é o melhor do mundo! É um homem que cometeu uma "panóplia" de erros pessoais e gerais. Qual é a pessoa, qual é o pai que não o faz, uns de modo mais "escondido" do que outros?
Quantas vezes achamos que fazemos o que está certo e, na realidade, fazemos o contrário?
Nós somos fruto dos nossos genes, mas também do "fenótipo", dos ambientes familiares em que crescemos, tal como da sociedade do nosso tempo que nos incute os seus valores, os seus prazeres e as suas condutas...
Se me perguntarem se alguma vez ousaria julgar o meu pai ou a minha mãe?
Julgo e muito, como julgo o mundo, como me julgo a mim. Porque nós somos e fazemos os nossos próprios limites, porque nós temos o poder de alterar o curso da história e raramente o fazemos...
Porque, se quisermos, podemos enfrentar os desafios do nosso tempo e, geralmente, temos medo de o fazer...
Condenar? Nem Deus ousa desse direito que é só seu! Porque motivo o faremos nós? Porque motivo?
O meu pai nasceu em 1955, numa família rural e humilde. Os meus avós, pais do meu pai, partiram bastante idosos. O meu avô em 2008, faria no fim deste ano 100 anos, a minha avó em 2011, este ano comemoraria 98. Entre altos e baixos, dentro da mentalidade de um tempo, procuraram educar os 5 filhos (mais uma que partiu bebé) da melhor forma. Entretanto, viram o mais velho partir, todos os outros permanecem entre nós. Terei tempo de contar as suas histórias, mas hoje foco-me no meu pai.
O meu pai tem 65 anos. Cheio de defeitos, mas também de qualidades. Foi trabalhar com 11 anos, fazendo da sua serralharia a sua arte. Foi movido por toda uma geração de esperança, fundada pelo 25 de Abril, aproveitando o "bom" e o "mau" da liberdade.
Quando eu, o quarto filho do casamento, nasci, alterou o seu rumo, sendo que muitas marcas do passado lá permaneceram. Até hoje.
O meu pai tem uma arte... Eu não tenho!
O meu pai é socialista convicto. Eu (quase) sou!
O meu pai define-se como "agnóstico". Eu sou um católico praticante e um cristão militante!
O meu pai não liga às convenções e a "posturas"... Eu procuro intensamente ser assim, mas ainda não consegui!
O meu pai "cai" nos exageros... Eu não (tanto)!
O meu pai é totalmente aberto... Eu não sou!
Eu sou contido... O meu pai não é!
O meu pai não é seletivo... Eu sou!
O meu pai é teimoso... Eu também!
O meu pai gosta da natureza... Eu também!
O meu pai usa barba por gosto... Eu só "porque me fica bem aparada" e por preguiça de a cortar!
O meu pai é uma pessoa de trabalho físico!... Eu prefiro usar o dom da mente!
O meu pai diz palavrões... Eu também digo muitos!
O meu pai não liga ao vestiário... Eu ligo "um pouco" devido ao meu trabalho e projetos...
O meu pai tem um projeto de vida baseado no trabalho e até na família... Eu nos meus dons, talentos e vocações.
O meu pai é emotivo... Eu não sou, ou prefiro não ser! Sou muito mais racional!
O meu pai é "meigo" com as crianças, eu sou mais rígido! Talvez porque trabalho permanentemente com elas...
O meu pai é mais afetuoso do que eu e acolhe melhor esse afeto que eu (ainda) não sei dar!
Eu sou um pouco frio... O meu pai não é...
O que eu não gosto do meu pai? Tanta coisa! Sobretudo por ser a pessoa que mais diz, friamente, o que não quero ouvir...
O que gosto? Da sua capacidade de trabalho!
O que não lhe quero seguir? Tanta coisa!
O que quero herdar dele? O valor do trabalho, da retidão, a frontalidade, a dele mais "violenta", mas a minha mais coerciva, um certo improviso da vida, que adquiro mais lentamente...
A pessoa mais importante da minha vida é o meu pai? Isso não interessa. Aceito-o com a sua natureza atípica, ou não tanto, e respeito-o na diferença. Foi o pai que Deus me deu e sempre será até ao fim dos meus dias, por isso não o trocaria, pois isso seria abrir mão do meu destino...
Vivo no meu mundo por natureza. O meu pai nunca o compreendeu, mas ele torna-se igual. A contrariedade forçada da nossa essência muitas vezes acaba por deturpar a visão do mundo, da vida e das relações...
Desde sempre defini os exemplos que seguiria (e não seguiria) do meu pai. Prometi sempre ser eu, respeitado por quem sou e não de onde vim...
O que vale para o meu pai vale e valerá para todos! Eu sou familiar e amigo de quem sou nos seus devidos contextos e no "pessoal" da minha vida. Sempre serei alguém individual, orgulhoso das minhas raízes, mas os meus frutos sou eu que os colho, com ajuda da família e dos amigos!
O meu foco será, no entanto, sempre, o coletivo, a comunidade, o grupo como um todo!
Quantos não julgaram que Cristo negou a Nossa Senhora em vida e, no final, na cruz, entregou a sua mãe ao seu apóstolo preferido, entregando-lhe a humanidade? Jesus sempre elogiou e reconheceu a família, tal e qual como eu.
Mas nós somos maiores que a família, somos comunidade. Ao servir a comunidade, sigo a prioridade que é a família, que são os amigos que nela vivem...
Sirvo o meu Pai. O que está no céu e o que, felizmente, vive na terra!
O dia do pai, esse, é todos os dias... Não vou escolher um dia específico para lhe ligar se raramente ligo a alguém...
Não seria eu, seria outra pessoa que não conheço...

🍀
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