O meu avô Lourenço
Recentemente, escrevi sobre a minha avó Estela, através do Facebook (cujo texto depois transferi para o blog). Hoje falo-vos do seu marido, o meu querido avô Lourenço.
O meu avô Lourenço nasceu a 3 de Novembro de 1932, em Folgosa. Era o sexto de oito irmãos, filho de Claudina e do seu pai com o mesmo nome, falecidos era a minha mãe muito pequena.
O meu avô Lourenço cresceu e tornou-se carteiro. Era a sua profissão de renome, ainda hoje alguns dizem que sou o neto do "Lourenço, o carteiro", alcunha que não me podia deixar mais orgulhoso, sobretudo na infância, quando observamos os carteiros e a sua correspondência e pensamos que o nosso avô seguiu essa profissão tão nobre, levando a comunicação que tanto amo às pessoas.
Em 1955, aos 23 anos, casou-se com Auristela Moutinho da Rocha, minha avó. Juntos, tiveram 4 filhos: Gracinda, a minha mãe, Quintino, o meu falecido tio, a minha querida "Lila", uma mulher notável que tenho orgulho de até hoje chamar de "tia". Por último, a minha tia "Custodinha", nasciturna, acontecimento que para sempre definiu o curso da vida dos meus avós... "Custodinha" era o nome dado na época às crianças que pereciam no parto!
Era avô do Pedro, da Filipa, da Cláudia e da Sandra, quando a sua amada Estela partiu em 1991. Desde esse dia, a vida do meu avô, movido por tantos outros problemas de saúde, nunca mais foi a mesma. Com a sua esposa, partiu uma parte de si.
Nem o nascimento do quinto neto, eu, foi o suficiente para preencher um vazio tão indescritível e, cerca de meio ano depois da foto em cima, o meu avô partiu, a 11 de Março de 1996, 15 dias antes do dia do meu primeiro aniversário de nascimento, dia em que nasci para a fé com o meu batismo. Tinha 63 anos.
Fica a desilusão perene de não me lembrar dele, mas a manutenção constante de um sentimento que ficou, tal é o amor por ele demonstrado nas fotos que tirou comigo! Os meus irmãos e a minha mãe descrevem-no como um ser humano magnífico, brincalhão e carinhoso, amante do dominó, do "treino da mente" e possuidor de uma enorme inteligência! Acarinhado por tantos.
No início do texto, referi que era o sexto de oito irmãos. Infelizmente, deixou-nos de modo prematuro, pelo que foi o quarto irmão a partir, após a morte da tia Rosalina (a quinta), da tia Maria (a terceira) e do tio Quintino, o quarto.
Sobreviveram-lhe o irmão Serafim (falecido com a mesma idade do meu avô) em 1998 e o sétimo dos irmãos. Permaneceram o tio Manuel, o primogénito, o tio Joaquim, o segundo filho e o "caçula" Avelino.
Quis o destino, tal e qual as citações, por entre esta citação da vida, que algures no tempo, restassem o mais velho e o mais novo dos 8 filhos de Claudina e Lourenço, irmãos do meu avô, com a morte de Joaquim em 2004.
Em 2008, morria o tio Manuel aos 87 anos, deixando o único irmão, o caçula Avelino, apenas dois meses após a morte da esposa.
O tio Avelino, o "caçula" dos oito irmãos continua vivo, tem inclusive Facebook. Não me estranha as suas publicações relacionadas com torneios de dominós, entre outros jogos, pois é já um talento de família. A sua esposa, Glória, permanece connosco, tal como Isabel, esposa do penúltimo irmão, o meu tio Serafim, tal como a mulher do segundo do clã, Joaquim, perto dos seus 100 anos, segundo informações últimas que recolhi...
Antes da sua morte, o meu avô Lourenço brincava comigo e, tal como o atleta no momento da entrega do testemunho, entregou-me à minha mãe, afirmando que pôs o meu irmão Pedro a andar, mas o mesmo não ocorreria comigo. Morreu nessa mesma noite, pacificamente, durante o sono, discreto como sempre fora. Não o tenho na lembrança, mas para sempre no meu coração!
Hoje sei que os meus avós, Estela (1931-1991) e Lourenço (1932-1996), tal como o meu tio Nando (1957-2011) olham por mim, pelos meus irmãos, pelos seus bisnetos Sara, Beatriz, Joana, Rita, Matilde, Ema e Mathis e, essencialmente pelas filhas Cinda e Lila, duas mulheres de garra, mães vitoriosas, que criaram os filhos sempre com os instrumentos que tinham e de modo, na prática, solitário!
Deixaram as suas filhas e, por alguns anos o seu filho, bem entregues nas mãos da tia Nanda, irmã mais nova da minha avó Estela, madrinha de todos eles e que os vê até hoje, elas na vida e o "rapaz" na morte, como seus "segundos" filhos. E a nós, como netos, tal como o seu esposo, apesar das distâncias que o tempo nos impõe!
Para o meu avô Lourenço (com quem a nível de política teríamos certas discussões pois era PSD ferrenho, tal como a sua querida esposa), um beijinho de um católico praticante, socialista quase convicto e que detesta dominó... Daqui, até ao céu!
Na certeza que um dia daremos os abraços que ficaram por dar...
♥️♥️♥️

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