♥️Eu e a Annie - 7 anos de amizade! ♥️
Decorria o ano de 2014, 7 de Março, a minha irmã Cláudia fazia anos e levei a cabo uma festa surpresa no café que tínhamos na altura.
A Annie foi a primeira a chegar, jantando connosco. À posteriori, vieram os restantes convidados.
Já conhecia a Annie desde há alguns meses, pois a Cláudia trazia-a de boleia até Vilar de Luz, onde residia na altura, aproveitando ambas para lanchar no café.
Não compreendia como a minha irmã poderia ser amiga de uma pessoa tão "insosa" (o mesmo ocorreu com a Monique). Muito insosa na realidade, ainda hoje é de vez em quando. Pensava eu que seria convencida também. Não obstante, respeitava as amizades da minha irmã sem falar muito, característica que na altura era aliás em mim muito visível e que ainda hoje conservo, embora a língua esteja mais "afiada"...
Nesse dia 7 de Março deu-se uma incrível reviravolta. Esperava eu a minha tia Lila, a Sandrinha, a Matilde e a minha prima Gabriela chegarem, cuidando que a minha irmã não contasse, procurando ao máximo que ajudasse a minha mãe na cozinha e, deste modo, atrasassemos a abertura do bolo. Fui "obrigado" a ficar com a "Ana insosa" à minha beira, até que veio um cliente do café puxar conversa connosco.
Naquele momento, "parti-me a rir" com os disparates da Annie e mudei totalmente a minha opinião. Ficava sempre feliz quando vinha ao café e, mais tarde, a minha casa, em autênticas jantaradas com outras pessoas, como a Célia e a Cristina e fomos fomentando a nossa amizade! Hoje é a única que, não obstante revelações que farei sem medo mais à frente, sabe de tudo e muito mais que a família e mesmo os restantes amigos...
Um ponto alto foi no batizado da Ema, a 4 de Novembro de 2014, os primeiros que o Padre Domingos realizou na paróquia do Divino São Salvador de Folgosa. A Annie ficou na mesa dos pais e padrinhos. Nos meus 19 anos, ela um pouco mais velha, "tomamos conta" da garrafa de vinho que estava à nossa beira, o melhor que bebemos até hoje, num restaurante em Alfena, cujo nome já não me recordo. O restaurante era uma antiga igreja, ficamos numa espécie de sala, onde se guardavam os pertences do passado. Lindo! Cá fora, um moinho de água e muito espaço para as crianças brincarem.
Sei que o vinho trepava e ainda pensamos adquirir a meias outra garrafa, fizemos "30 por uma linha". Começamos com certos termos que usamos até hoje, com as conversas um tanto ao quanto "miseráveis", sem qualquer tipo de aproveitamento, mas que nos faziam e ainda nos fazem felizes, já para não falar das nossas "cenas", dos nossos brindes a dois e coletivos, de braço dado em cada mesa. Sei que nesse dia falamos muito alto, deixando os meus tios avós maternos (coitados) um pouco surpreendidos com aquela minha ressurreição. Já não tinham idade para aquilo!
Na altura assim era... Tudo não passava de momentos. Não foi uma altura fácil na minha vida. Era eu, mas não era. Era feliz, mas não era. A Annie soube aperceber-se disso, notava que estava numa fase que não queria sair com ninguém, apesar de lentamente me começar a libertar. A Annie achou porém que não seria suficiente e que precisava de viver nos anos vindouros o que não vivi na adolescência! Praticamente "obrigou-me" a deixar os materiais e, fora as jantaradas em minha e noutras casas, saímos pela primeira vez em Outubro de 2015, dia que o primeiro governo do Costa tomou posse.
Fomos a Vila do Conde, terra de outra grande amiga, a Elisabete, que conheci no ano seguinte, quase como se Deus me desse sinais do curso que a minha vida tomaria. Depois, à Ribeira, começaram as saídas noturnas, a "copofonia" prosseguia, os jantares em "espaços neutros" (restaurantes), arranjamos o nosso "Bom Garfo", local só nosso, onde atualmente fazemos a tradição do jantar mensal e pomos a conversa em dia! Eu sei (quase tudo) sobre ela e ela (quase tudo) sobre mim.
Depois vieram as viagens por esses cantos e recantos do país, sobretudo no Norte, as mais marcantes em Espinho (2016), Aveiro, Vila do Conde e Viana do Castelo (2017), Vila Praia de Âncora (2019) e em 2020, já no auge da pandemia a Cortegaça (onde fiz o meu cursilho), outra "partida" (ou será que não?) do destino!
É para aí que eu vou, para os anos de 2017 e 2018. Depois de um ano excelente de 2016 em que emagreci, passei a cuidar mais de mim, onde dava os primeiros passos enquanto catequista e comecei a trabalhar, no fim do ano seguinte e a grande maioria de 2018, ano da primeira comunhão dos meus catequizandos, passando um bocadinho essa altura, todos começaram a notar em mim uma forte alteração dos meus níveis de ansiedade, a ponto de certos e determinados tremores se apoderarem das minhas mãos. Esses estados de ansiedade combinavam com momentos em que me mantinha silencioso, como se tivesse fé, mas ao mesmo tempo me faltasse a esperança. Não estava sequer só, tinha uma família e amigos que me amavam, como o Paulo César, figura ímpar e essencial.
Tanto a Annie como ele não se conformavam com certos comportamentos aditivos, que a minha própria família notou, mas não tinha noção da dimensão: Bebia bastante e o "cigarro da praxe" virou uma constante permanente naquele ano. Não terá sido pior porque tive a Annie e outras pessoas sempre comigo... Não obstante, sempre fui bom a disfarçar, em parte pelo discernimento,fruto da educação que tive e nos meus projetos de vida nunca ninguém notou esta vertente negativa.
No entanto, outras amizades se perdiam, pois os momentos de ansiedade davam-me uma falsa sensação de boa disposição, já os que me sentia em baixo alteravam fortemente o meu humor, a ponto de passar do estático ao dinâmico pela negativa numa breve fração de segundos.
A Annie sabia que não podia continuar nessa deriva, ajudando-me a encontrar uma (nova) psicóloga que me aconselhou a frequentar sessões de psiquiatria. Assim foi, não resolvendo o meu problema na plenitude.
Em Outubro de 2018, fui fazer o meu cursilho a convite da minha prima Elsa e do Padre Domingos e a Annie notou desde aí a minha diferença. Talvez necessitasse de estar longe do mundo, a sós com Deus e com pessoas de "mundos distantes" de mim para que podesse me reencontrar, longe de pessoas que influenciassem a minha forma de ser ou de estar. Desde então, o caminho tem sido positivo.
Ganhei um novo trabalho, aumentei os meus conhecimentos pessoais e intelectuais, caminhando também para uma situação financeira estável, alargando os meus horizontes e os meus ambientes, tal como o meu leque de amigos. O "cigarro" é só mesmo isso, "da praxe", raro e um prazer momentâneo e o álcool muito regrado, com umas "tainadas" pelo meio.
Quando saí do cursilho, a Annie notou a minha mudança, mas de imediato preocupou-se sem nunca me dizer com as expectativas que criara. Lentamente, sem palavras, mas gestos, foi-me demonstrando que a sociedade não mudara, ao contrário dos sinais que emitia, temendo sempre que eu tivesse uma recaída... Sabendo que teria pequenas recaídas que tinha de voltar a ter para estabilizar. Assim foi, por breves momentos, recaídas ao nível dos estados, não físicas, e cá estou. Nem sempre é fácil manter a esperança e o espírito positivo, mas comporto-me como todos os seres mortais que têm fé em Deus e no Universo!
Ter ficado 1 mês e meio sem ver a Annie em Março e Abril de 2020 e 2 meses em Janeiro e Fevereiro de 2021 custaram-me imenso e eu sei que a ela também lhe custou. Contudo não se preocupava tanto como outrora, pois sabia que mais alguns momentos longe do mundo consolidariam o fato de eu ter de olhar para mim e não tanto para os outros, renovando as minhas forças e energias para a retoma do coletivo.
A grande retoma ainda não se deu, a pandemia habituou-nos a planear a vida no mais curto prazo possível. No entanto, eu sei e a Annie também que eu próprio, por força do destino terei de me "retirar" de vez em quando para não ter a "mente" em tantos lugares ao mesmo tempo. Já o faço através da meditação com a Sati, outra grande amiga que conheci e outros ambientes. Talvez precise de me retirar horas ou até dias em determinados tempos para repor as boas energias, semeando e projetando o que levarei para o mundo. Terei de continuar com este exercício de adaptação e sei que a Annie fará com que isso aconteça de modo a prosseguir com o coração aberto para todos, não só a nível prático, mas também mental e emocional!
O verdadeiro exercício virá com a normalidade futura e aí eu e a Annie sabemos para onde vamos imediatamente. "Copofonia", festa, alegria, pois a vida é partilha física, emocional e espiritual.
Uma autêntica eucaristia portanto! A Ana é uma mulher muito católica, embora não pareça. É rara a viagem que não visitamos uma igreja e na grande maioria, procuramos o horário da missa pois sabemos que Deus, a santíssima trindade, é o único que está sempre connosco...
Tenho de agradecer à Annie e a Deus pois na fase mais difícil da minha vida não permitiu que os comportamentos aditivos tivessem grande impacto nos meus projetos, ao contrário dos estados de espírito instáveis (normal), e por me demonstrar que a verdadeira vida está na virtude, nos valores e no alimento do espírito. Nem sempre a ciência é solução única ou sequer a solução para a saúde mental. Por me ensinar a ser um "espírito livre", para lá das morais e dos costumes ultrapassados, já nem sequer tradicionais!
Adoro-te Ana Gonçalves por tudo o que "aguentaste" e "sofreste", o mesmo ocorreu ao contrário, mas a nossa amizade fortaleceu as nossas almas! O corpo, acho que ambos engordamos, mas ok...
Permaneceste sempre comigo, enquanto outros me criticavam e deixavam. Se calhar ainda me criticam, mas como tu dizes: "Caga"! 😂
"Caga" Ana G, ser feliz é o mais importante não é? Nos últimos tempos já me disseste que a idade avança e está a chegar a hora de acalmar um bocadinho... Esses "timings" indicam que cresci, e tu me levaste por tantas e incríveis fases... E eu a ti...
Como dizes, que ninguém se meta no nosso caminho. Só Deus!
Só Deus...
😍😍😍




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