A minha avó Estela
A minha avó Estela, diminutivo de Auristela Moutinho da Rocha, nasceu a 13 de Agosto de 1931, filha de Gracinda e Joaquim, irmã de Laurinda, Manuel, Joaquim, Arménio e Fernanda.
Laurinda, a primogénita, era 13 anos mais velha do que a minha avó, filha apenas da minha bisavó com outro senhor na época, fazendo a sua vida muito mais cedo e emigrando mais tarde para o Brasil, onde veio a falecer. Quando a minha bisavó Gracinda morreu, no parto da sétima filha, que também não resistiu, tinha a minha avó 14 anos. Como irmã mais velha de fato, ajudou o meu bisavô a criar os quatro irmãos mais novos, tendo os mais novos 8 e 5 anos aquando da perda da mãe. Orientou desde então a casa e procurou amparar todos na dor da ausência.
Ao fim de alguns anos, a minha avó Estela casou-se com o meu avô Lourenço e desta união, com altos e baixos como todas as outras, nasceram a Gracinda, minha mãe, o meu tio Quintino e a minha tia Ercília. Tornou-se avó do Pedro, da Filipa, da Claudia e da Sandra que a recordam com carinho. Mais tarde, tornou-se minha avó, mesmo já cá não estando!
Conta a minha mãe e os meus irmãos que o Futebol Clube do Porto era a sua vida, a voz que nunca ouvi muito "fininha", o sorriso singelo, apesar do sofrimento que a vida lhe inflingiu, particularmente com a perda da mãe muito jovem e da quarta filha, falecida no parto. Nunca mais terá sido a mesma pessoa desde então e a saúde com o avançar dos anos começou a faltar.
A minha avó Estela morreu a 1 de Fevereiro de 1991 aos 59 anos, depois de ter estado alguns dias em coma, por entre um período intermédio de consciência onde falou com alguns familiares, talvez para se despedir.
Deixou na terra o seu esposo, os seus 3 filhos, três dos quatro irmãos que ajudou a criar (Joaquim faleceu em 1972) e a primogénita Laurinda. Quis o destino que o meu bisavô Joaquim lhe sobrevivesse, falecendo 1 ano e meio depois.
Quatro anos depois nasci eu, Deus ainda esperou esse acontecimento antes de permitir que o meu avô Lourenço se juntasse à mulher que nunca esqueceu. Viria a falecer 1 ano depois, 5 anos depois da morte da sua Estela, durante o sono. Com a sua ausência nunca aprendeu a viver.
Hoje estão juntos. Com a minha avó está também o seu filho Quintino desde 2011, os seus pais e os irmãos Laurinda, Manuel e Joaquim. Dos 6 irmãos, sobrevivem ainda os mais novos, o meu tio Arménio com 83 anos e a minha tia Fernanda com 80 anos, padrinhos da minha mãe. Estão bem, felizmente, tal como os respectivos cônjuges e as cunhadas, Alice e Maria, esposas do Manuel e do Joaquim.
Diz a minha mãe que a vida lhe tirou os pais demasiado cedo, mas sente-se feliz por, prestes a completar 65 anos, ter muitos tios vivos, mesmo que muitos por afinidade.
A minha avó Estela hoje é também bisavó da Sara, da Beatriz, da Joana, da Rita, da Matilde, da Ema e do Mathis. Completaria este ano 90 anos se ainda aqui estivesse...
Um beijinho grande daqui até ao céu avó... Aguardarei o dia em que provarei a comida que me confeccionarás. Diz a minha mãe que é muito melhor do que a dela... Imagino que será de bradar aos céus...

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